Em qualquer ambiente onde existem grupos com objetivos comuns, esbarramos numa dificuldade inerente: o saber se comunicar. Criamos sofisticadas formas de linguagens, avançamos na feitura de equipamentos e ferramentas e ainda não aprendemos a nos comunicar com eficiência com nossos parceiros de trabalho. Para a maioria das pessoas, a arte do diálogo - dio-logos, dois pensamentos - é extremamente complicada.
Perceber e entender as regras da boa comunicação não é difícil, qualquer um consegue, o difícil é praticá-las no decorrer do dia. Elas exigem atenção, escuta e concentração no outro. Atitudes que precisam de despojamento, humildade, paciência e principalmente educação. É aí que “a coisa pega”. Estamos tão egocentrados que não enxergamos, nem escutamos os anseios do interlocutor. Por orgulho, vaidade, presunção, preguiça ou falta de tempo perdemos o contato com o próximo. Não é aula de catecismo, mas perceba, os sete pecados capitais são inimigos da comunicação.
Nós, comunicadores profissionais, gastamos muito tempo estudando objetivos, público alvo, quais as melhores formas de emitir mensagens e até tentamos mensurar os resultados das nossas ações. Mas nos esquecemos do básico: a comunicação entre humanos se processa entre humanos e está atrelada aos nossos defeitos e virtudes.
Existem dezenas de maneiras para a melhoria dos nossos relacionamentos interpessoais, por exemplo: não cortar a palavra do outro enquanto ele estiver falando, senão dá a impressão de que você não se preocupa com a causa alheia e a comunicação se desmancha no nascedouro.
Aprenda a usar a sua entonação de voz, principalmente ao conversar com as mulheres, elas são mais suscetíveis ao modo e à altura das falas do que os homens. Palavras grosseiras não são bem vindas no universo feminino. O grande poder de sedução de Cleópatra não era a sua beleza, mas a sua entonação de voz.
Calma e suavidade constroem o bom conversador, por isso fale devagar atento às palavras que vai proferir. E, se for replicar uma provocação, siga os conselhos do Rei Salomão: “A resposta branda acalma o furor, a palavra ferina estimula a ira.”. É dele também o provérbio: “As palavras ditas na hora certa são como maçãs de ouro em bandejas de prata.” Por isso, cuide para não falar a coisa errada na hora errada.
Durante a realização de um trabalho coletivo mantenha seus parceiros informados sobre o que está realizando e as suas intenções sobre os próximos passos. Nos esportes, bons jogadores sinalizam os momentos certos para passes e recebimentos. É bonita a cena do Pelé, menino, batendo a mão na cabeça pedindo bola no jogo contra a Suécia na Copa de 58.
Um dos erros mais comuns de comunicação entre vendedores é não saber a hora certa de parar de falar. Muitas vezes, na cabeça do comprador, o negócio já está fechado e o vendedor continua falando. Isto faz o outro se lembrar da concorrência, refletir sobre suas reais necessidades, ponderar sobre alternativas e levá-lo a tomar outra decisão, cancelando uma compra já feita.
Uma dos comportamentos mais irritantes nos processos da comunicação é a falta do retorno, feedback para alguns. Muitos dizem: “ Não tive tempo para responder.” Eu digo: “Foi falta de educação e não de tempo.” Seja apenas para dizer não, devolva a informação sobre o andamento dos trabalhos ao interessado, é para isto que existem telefones, e-mails e bilhetes. Esta ação não custa nada e evita que os outros pensem mal a nosso respeito influenciando os próximos passos do projeto.
A arte de falar está ligada à arte do escutar. Se você não for um bom ouvinte jamais será um bom comunicador. Buda que era mestre na arte do silêncio dizia que deveríamos estar atentos às nuanças das nossas palavras e recomendava escolher com cuidado o local e hora de se abordar assuntos importantes, sem antes pensar: “O que você vai falar é verdade? As suas palavras trarão benefícios ao ouvinte?”
Cuide-se para não emitir comentários desnecessários sobre pessoas, empresas e situações. É melhor morder a língua antes de forma suave do que depois de forma amarga.
A palavra “palavra”, em hebreu, quer dizer “instruir, guiar atenciosamente” - funções de um líder. Quem não sabe se comunicar instruindo não serve para as ações de liderança. E atenção, nos processos comunicativos, aquilo que não é dito com clareza, normalmente, é mais importante do que o que foi dito. O essencial continua invisível para os olhos e ouvidos.
Eloi Zanetti - especialista em marketing e comunicação corporativa - eloi@eloizanetti.com.br