21
jun
2010

Cuide de seus talentos

por

Bernt Entschev

 

                Tenho me preocupado muito com a forma com que os gestores têm agido com seus profissionais, principalmente, aqueles com muito tempo de casa. Trabalho com Capital Humano e sei o quanto é importante reconhecer nossos talentos. Infelizmente, porém, algumas empresas mais retrógradas não agem como se as pessoas que ali trabalham, fossem, de fato, o maior bem da empresa. Ora, é uma questão lógica! Para que uma empresa progrida, é necessário que ela produza, sejam produtos ou serviços. E, por mais que a tecnologia esteja a todo o vapor, essa infinidade de máquinas que toma conta das empresas vêm, única e exclusivamente, para aprimorar o trabalho humano, tornando-o mais ágil e próximo da perfeição. Afinal, por trás de uma grande máquina, há sempre um grande homem.

                É por saber da necessidade de reconhecer o trabalho de seus colaboradores, que surgiram, ao longo do tempo, uma série de leis e formas de defender os interesses dos trabalhadores. Mas, não são nesses méritos que pretendo entrar. E, sim, nas questões práticas do dia-dia, exatamente onde gestores pecam por não saber lidar direito com os pontos comportamentais e, consequentemente, com os preceitos para reconhecer os talentos de sua organização e nas consequências de suas tomadas de decisão.

                Essa questão que tomei como exemplo é apenas uma de tantas situações onde a empresa simplesmente apaga de seu chip de memória tudo o que um dia aquele profissional fez por ela. Demissões, às vezes, são extremamente necessárias. Porém, por que escolher, justamente, um profissional com tantos anos de prática naquilo que faz, que conhece cada código da cultura organizacional e que jamais deu um motivo sequer par ser cogitado a sair? Como empresário, reconheço que nenhuma empresa gosta de demitir. Pelo contrário, cortes só são feitos em último caso e, quando necessários, pesam-se inúmeras circunstâncias ao passo de escolher a melhor (ou pior, depende do ponto de vista) opção.

                Atento para questões como favoritismos, puxa-saquismos, e outros “ismos” que fazem com que profissionais, às vezes não tão bons, que se tornam pupilos de seus chefes por, simplesmente, ceder a alguns de seus caprichos. Do que a empresa precisa, afinal? De profissionais que vivem pulando nos buracos que seus chefes pedem e deixando seus trabalhos de lado para atender a solicitações pessoais e, às vezes, absurdas; ou de pessoas com alto grau de comprometimento com a empresa, que exercem suas funções com maestria e que apresentam resultados reais à organização? Indigno-me ao ver que são esses primeiros (os bajuladores) que acabam vingando nas empresas. São essas pessoas que, na maioria das vezes, não são cogitadas para sair e que ganham os maiores salários das organizações.

                Num tempo em que os talentos são cada vez mais cultuados e, aparentemente, reconhecidos pelo mercado, ainda há uma grande parcela que enfrenta esses problemas supracitados. E, infelizmente, a única forma de modificar essa mentalidade arcaica é, justamente, fazendo com que os gestores (os ruins, pois os bons já entendem isso) percebam que quanto mais priorizarem os profissionais medianos, que executam qualquer tipo de puxa-saquismos, menos terão profissionais realmente eficazes em suas equipes. O fato principal que impede que eles enxerguem isso é a visão deturpada do que é, realmente, um profissional eficiente.

                Por isso, aos gestores sugiro que reflitam um pouco sobre como estão reconhecendo os talentos caseiros. Verifiquem se estão os tratando e recompensando de forma satisfatória, pois, caso contrário, perderão, em breve, seus maiores tesouros: aqueles que realmente produzem algo de bom para a corporação. E, depois do leite derramado, será tarde para entender que as pessoas são insubstituíveis. O maior sofredor disso tudo, certamente, será a organização como um todo, desde o caixa da empresa, até os profissionais que ficam e observam as injustiças acontecerem uma atrás da outra.

 

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