Na maioria esmagadora dos livros de autoajuda, uma das dicas mais evidentes é a de manter a autoestima em dia. E é verdade, sem autoestima, dificilmente a vida caminha de forma congruente, pois ela é a principal base do sucesso, tanto na vida pessoal, como na profissional. Porém, abordo hoje o contraponto dessa história, o excesso de autoconfiança. Preciso, antes de iniciar a dissertação sobre o assunto, explicar que essa característica é uma premissa para o sucesso, sim. Não venho, em hipótese alguma, incentivar a falta de confiança em si mesmo. O meu medo, entretanto, é que, em alguns casos, autoconfiança em excesso pode se confundir facilmente com um atributo que eu execro, a arrogância.
Conheço alguns casos de pessoas tão confiantes que, por conta disso, deixam de ouvir quaisquer opiniões alheias às suas. São pessoas, normalmente, orgulhosas, que não aceitam ajuda (acreditam ser autosuficientes), tentam abraçar o mundo sozinhas e crêem ser insubstituíveis. Muitas vezes, essas pessoas realmente são muito boas no que fazem e, por isso, tornam-se presunçosos, pois passam a achar que ninguém poderia fazer o seu trabalho com tanto esmero e perfeição. Mas é exatamente aí que elas pecam. Um profissional, quando é bom de verdade, não precisa ter medo de opiniões divergentes das suas. Pelo contrário, os melhores são aqueles que recebem as críticas, sejam elas positivas ou negativas, e as utilizam a favor de seu crescimento.
Afinal de contas, quem é perfeito? Infelizmente, essas pessoas acreditam ser tão completas, ao ponto de achar que não precisam aprender mais nada. Sua autoconfiança é tão exacerbada que jamais admitirão estar erradas em qualquer situação que seja, pelo contrário, têm a convicção de que sempre farão tudo de maneira impecável. E o pior, essas pessoas são certas de que seus chefes gostam tanto do seu trabalho, que jamais os demitirão, pelo contrário, farão de tudo para manter-lhes na equipe, custe o que custar. Não nego que, em alguns casos, isso realmente aconteça. Mas, também já vi casos em que a pessoa se via muito além do que ela realmente era. Ora, ninguém é insubstituível! Por melhor que um profissional possa ser, sempre haverá alguém com competências semelhantes, umas melhores e outras piores, mas que num conjunto podem ser tão bons quanto.
Infelizmente, dificilmente achamos profissionais desse tipo (excessivamente confiantes) rodeados de amigos, pois alguns chegam a ser insuportáveis de se conviver. Porém, tenho que dar o braço a torcer. Grande parte dessas pessoas são muito inteligentes. Aliás, a forma de se comportar de forma imponente, sem titubeios, faz com que elas sejam mais facilmente escolhidas para gerenciar equipes, por exemplo. Mas a cautela é devida da mesma forma. Quem não conhece a história da tartaruga e da lebre? Na verdade as duas acreditavam em suas competências, mas a lebre confiava em si tão demasiadamente que subestimou a capacidade de tartaruga. Quantas lebres você conhece?
Não precisamos fazer muito esforço para nos lembrarmos daquele colega que se acha a “última bolacha do pacote” e que, por isso, é incapaz de transferir responsabilidades para os demais colaboradores. Ou então daquela amiga que se considera tão inteligente que tenta achar defeitos onde não tem, só pra dizer que corrigiu alguma falha alheia. Essas pessoas, infelizmente, podem correr sérios riscos. Quanto mais se sobe (principalmente se for apenas em sua própria cabeça), maior é o tombo. Imagine uma pessoa tão certa de que seu trabalho vem sendo feito da melhor forma possível, e que, de repente, vê-se recebendo feedbacks negativos! Como esse profissional certamente acredita que não há nada para melhorar, certamente não saberá por qual caminho ir, caso tenha que refazer o trabalho. O maior inimigo dessas pessoas é a incapacidade de crescer, pois acreditam que já sabem tudo e que não há ninguém capaz de lhes agregar em alguma coisa.