22
jul
2009

O Marketing é digital.

por

Rodrigo Turra

Existem várias formas de conceituar Marketing: o processo de conquistar e manter clientes,  ou o conjunto de atividades humanas que tem por objetivo facilitar e consumar relações de compra e venda, entre outras. Mas um dos mais básicos é que Marketing é troca. Com o passar dos anos as ações de consumo foram se sofisticando. A simples troca deixou de existir e as ações de Marketing foram ficando cada vez mais complexas. Por consequência, os principais atores dessa troca foram ficando cada vez mais distantes, diante de uma série de novas atividades, rotinas e processos.

Criou-se uma indústria para entender, entregar e se comunicar com os clientes. A empresa não tinha mais contato com os consumidores diretamente, e principalmente os executivos que optam por ficar encastelados em seus escritórios, passaram a vê-los apenas em pesquisas de mercado.

As cadeias de fornecedores se tornaram cada vez maiores também, e mais especializadas. E o cliente cada vez mais distante. Gerenciar o sistema de Marketing passou a ser o grande desafio. E então, de repente, surge o mundo digital com uma nova palavra de ordem: a interatividade. E ela novamente nada mais é que a velha e boa troca, contudo baseada em novas regras, novos canais, novos formatos. São essas “trocas interativas” que definem o novo cenário do Marketing.

A possibilidade digital concedido aos clientes mudou consideravelmente o status quo. A intensidade de propagação da mensagem, o poder concedido, a possibilidade do usuário poder interagir diretamente com a empresa sem intermediários, veículos, agências, no meio do caminho, pegou de surpresa profissionais que continuam achando que internet ainda é questão de acesso, não mudança de conceito.

Segunda a Razorfish, uma das mais conceituadas agências do mundo, em uma das mais recentes das suas pesquisas, demonstrou que 60% dos usuários buscam indicação, com outros usuários, antes da compra. As outras possibilidades eram conteúdos editorias, ferramentas de comparação, lista de compras. 

Em recente projeto da FordCenter, chegamos em pesquisa divulgada pelo Google que comprovava que 80% dos compradores de carro utilizam a internet antes de decidir a compra. Desses, 78% navegam na web para fazer comparações entre os veículos.

A preocupação sobre reputação online está se tornando cada vez mais o assunto da vez. Hoje inserimos a marca nos buscadores ou rede sociais e descobrimos citações, movimentos, completamente fora do ambiente artificialmente controlável de poucos anos atrás.

Hoje o cliente pode falar novamente direto com as empresas. Ele passa a ter uma opinião tão ou mais importante que os veículos de comunicação, passa a criar e interferir na marca como as agências, passou a “vender” seu produto, tanto quanto os principais canais.

Diante desse mundo digital, as empresas e profissionais de Marketing têm que estar preparados para criar, manter e mensurar esse novo diálogo. E isso tem impactos diretos:

- A marca tem que ser construída com os clientes

- Não existe mais condição ideal, com as variáveis controláveis de pressão e temperatura

- Não existe mais discurso, existe diálogo

- Não existe mais argumentação de venda, existe informação para facilitar na conversão

- Não existem compra e venda, existem relações

 

Bem-vindo ao novo marketing, bem-vindo ao marketing no mundo digital.

 

Rodrigo Turra - diretor da Redirect Digital Marketing ( www.r3direct.com.br ), ex-presidente da ADVB-PR, membro do conselho consultivo da entidade. 

 

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