23
jul
2009

Plano B

por

Bernt Entschev

Venho falando frequentemente sobre os efeitos da crise e como driblá-los, mas uma coisa que vejo e que tem me deixado preocupado é a inflexibilidade de muitos profissionais em aceitar novos desafios. Mas, antes de entrar no assunto, tenho o dever de dizer que o fato de estar desempregado num momento em que o mar não está para peixe não obriga o profissional a ter que aceitar qualquer coisa que vier pela frente. Afinal de contas, se a pessoa não se valorizar, quem fará isso? A minha intenção não é essa, e sim mostrar que existem várias possibilidades de recolocação, basta boa vontade e flexibilidade.

Para elucidar melhor gostaria de citar o exemplo da classe bancária, onde existem milhares de profissionais que se autointitulam Bancários. Veja, um profissional que lida diariamente, durante anos, com negociação, atendimento ao cliente, gerenciamento de contas, mercado financeiro e uma infinidade de outras atividades, desenvolve uma série de habilidades e competências que, sem sombra de dúvidas, podem ser aproveitadas em outras profissões completamente diferentes.  No caso dos bancários, por exemplo, podem surgir bons profissionais da área comercial, afinal de negociação eles entendem bem. Ou quem sabe consultores financeiros e, até mesmo, bons administradores de empresa.

Este foi apenas um exemplo que citei, porém existem milhares de outros. Um crítico gastronômico que pode virar Chef, ou vice-versa, afinal de contas a familiaridade com alimentos e degustação é pertinente às duas profissões. Ou um publicitário que pode virar arquiteto, pois ambos possuem habilidade de criação. Ou então um pedreiro que pode virar jardineiro e assim por diante. Em alguns casos, será necessária uma especialização, talvez uma pós-graduação, em outros menos ainda, só mesmo a boa vontade de se adaptar a uma nova realidade e adequar suas habilidades à nova função.

Há situações em que o profissional opta por essa transição por não se sentir feliz com a carreira, ou por achar que numa nova profissão encontrará mais reconhecimento financeiro. Porém, falando-se em crise, acredito que o caso mais comum hoje em dia seja o de sobrevivência mesmo. Nestes casos, recomendo o Plano B.

Trata-se de colocar na ponta do lápis todas as atividades desempenhadas na sua atual (ou última) função e junto com elas traçar as habilidades e competências que possui: capacidade de negociação, habilidade de relacionamento com o cliente, entre outros. Num paralelo, colocam-se as profissões que se assemelham com essas atividades e habilidades, assim como, a afinidade que o profissional possui com cada uma delas. Afinal, de nada adianta possuir a semelhança de funções se você não se sentir à vontade para desempenhá-las. Por último, é só adequação mesmo. O que precisa fazer para ser considerado, de fato, um profissional daquela área: cursos, especializações, investimentos?

Mas é preciso tomar certos cuidados. Não é porque agora você enxerga outros horizontes e percebe que pode se dar bem em outras profissões, que deve escrever no currículo que topa qualquer coisa. É desmotivante para um selecionador pegar um currículo, cujo objetivo profissional ultrapassa duas linhas. A impressão que o profissional passa é que ele faz tudo e nada ao mesmo tempo. Volto a dizer o que falei no começo do artigo: a intenção é ser aberto a novas oportunidades de carreira que talvez não sejam exatamente naquela função que você desempenhou durante anos, e não sair por ai aceitando toda e qualquer oportunidade profissional que aparecer, com salários muito inferiores ao que você possuía antes, e que não possuem ligação alguma com as competências que você possui. Para isso, será preciso abrir mão de certas coisas e saber negociar seus direitos e deveres.

Mesmo porque, independente desta crise, temos que consentir que algumas profissões estão entrando em extinção. Por isso, é preciso saber como agir quando essa escassez de profissão bater na sua porta e ter uma visão ampla do mercado, enxergando as tendências para os próximos anos. O mesmo vale para os profissionais que estão prestes a se aposentar. E quando essa hora chegar? Ficar em casa com chinelão não é a única opção. Há uma série de outras atividades que o aposentado pode exercer para complementar sua renda, inclusive abrir o próprio negócio.

Seja qual for o motivo da transição e da criação do Plano B, a dica principal é: esteja preparado e aceite as mudanças. Pode parecer clichê, mas muitas vezes o lado bom das coisas depende da maneira com que você encara os obstáculos da vida. Afinal, são nos momentos mais difíceis que desenvolvemos a genuína capacidade de crescermos pessoal e profissionalmente.

 

Deixe um comentário

Nome (obrigatório)
E-mail (Não será publicado) (obrigatório)
Site
Cadastre seu currículo no site
da De Bernt Entschev Human Capital.
  • Categorias

  • Quer falar com a ADVB-PR?
    Clique aqui e envie sua
    mensagem, comentário
    ou proposta.